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27/09/2012

   

41% dos brasileiros já teve o nome sujo

Um dos principais motivos que leva à inadimplência é a dificuldade em se avaliar o quanto é realmente pago quando as compras são parceladas

Uma pesquisa nacional encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que 41% dos consumidores brasileiros já foram ou estão impossibilitados de fazer compras a prazo por terem o nome “sujo”. Apesar deste cenário incluir pessoas das classes A e B, o estudo mostra que são os brasileiros das classes C e D os que mais sofrem com a situação da inadimplência. Os motivos principais são a falta de planejamento financeiro e a dificuldade de avaliar o quanto efetivamente é pago quando as compras são parceladas.
O estudo aponta uma relação direta entre renda e escolaridade: quanto maior o faturamento mensal per capta, maior o nível de instrução dessas pessoas. Para o economista do SPC Brasil, Nelson Barrizzelli, um dos fatores que evitaria a inadimplência é o conhecimento dos juros embutidos nos financiamentos. “O conhecimento efetivo sobre esses juros evitaria que as famílias se tornassem inadimplentes pelo uso inadvertido desses instrumentos de crédito”, avalia. A pesquisa revela ainda que quanto menor a renda, menor o interesse em se obter essas informações. “Pessoas com menos escolaridade são as que mais ignoram o assunto e, como consequência, são as que mais juros pagam nas suas compras financiadas, fato que as leva à inadimplência”, explica Barrizzelli.
A pesquisa indica ainda que famílias com poder aquisitivo completamente diferentes têm o mesmo acesso ao uso de cartões, que atualmente praticam os juros mais altos do mercado. No entanto, as de menor poder aquisitivo não conseguem avaliar a risco de inadimplência que estão correndo, caso surja algum obstáculo financeiro de qualquer natureza durante o período de financiamento.
Para o SPC Brasil, o país obteve ganhos qualitativos importantes nos últimos anos e parte destas conquistas deve-se à expansão do crédito. O uso consciente do crédito é especialmente importante para famílias de menor poder aquisitivo, pelo fato de poderem ter acesso a bens e serviços que não teriam caso tivessem que fazer pagamentos à vista. Mas por outro lado, é importante que a ânsia de adquirir seja dosada com a educação a respeito de como pensar o futuro e cumprir os compromissos assumidos.
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil têm alertado tanto varejistas como consumidores de que o uso correto do crédito é um poderoso instrumento para auxiliar o desenvolvimento do país e trazer mais bem estar para as famílias. “Tomar crédito sem capacidade para avaliar as consequências desse ato pode levar um país a crises como a que ocorreu em 2008, nos Estados Unidos. Naquele país, nos anos que antecederam essa crise, quem ofereceu crédito para quem não podia tomá-lo, agiu de forma irresponsável uma vez que sabia estar lidando com tomadores de alto risco. As consequências repercutiram em todo mundo”, avalia Barrizzelli.


 


 


 


 


 


 


 


 



 


 


 

 

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