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15/04/2014

   

Despreparo e pessimismo na Copa

Pesquisa aponta que empresários não se prepararam para receber o Mundial

A Copa está aí e há muito tempo foi anunciada. No entanto, a maioria dos comerciantes não se preparou para fazer do evento uma grande oportunidade. É o que comprova pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil, que apontou que somente 16% dos empresários estão otimistas com relação ao aumento das vendas durante a Copa do Mundo.
Acompanhe a entrevista dada pelo presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Júnior, à rádio CBN:


Os empresários acreditam que haverá vendas maiores no período da Copa do Mundo ou em função da Copa do Mundo?
Infelizmente não. Somente 16% dos empresários estão otimistas em relação ao crescimento de vendas no período da Copa. É um número bastante baixo, que nos surpreendeu pelo seu apontamento.


O que justifica esse número?
63% dos empresários, ou seja, a maioria deles, se quer se preparou para a Copa do Mundo. Somente 19% se preparou e 18% estão em preparação. Eles justificam isso, 42%, por não ver um retorno significativo para o aumento das vendas e 17% porque a concorrência não investiu, não importando assim investir em seu negócio.


Isso não é uma reversão de expectativa, levando em consideração a movimentação que se tem num período como esse, inclusive com a vinda de muitos estrangeiros?
Existe um pessimismo generalizado em virtude das manifestações que ocorreram no ano passado e, pela pesquisa, 71% dos lojistas acreditam que haverão novas e fortes manifestações durante a Copa.
Outro ponto negativo diz respeito aos feriados que as cidades estão para decretar nos dias de jogos. Isso também impacta de maneira negativa nas vendas e na expectativa das vendas dos lojistas. Inclusive, nós, da CNDL, estamos oficiando ao Governo Federal para que não paralisem as atividades do comércio durante os dias de jogos nas cidades-sede.


Tem idéia de quantos dias de feriados nós teríamos nesse período de Copa do Mundo? Já fizeram esse cálculo?
É um feriado por jogo. É só fazer essa conta. Nós teremos em todos os dias de jogos feriados municipais nas cidades-sede dos jogos, não só nos jogos do Brasil. Em algumas cidades foi realizado estudo para ver a possibilidade do comércio permanecer aberto. A grande verdade é que a dificuldade da mobilidade urbana nas cidades-sedes, grandes centros brasileiros, é uma realidade e os municípios querem evitar problemas nesse dias. Mas nós vemos que isso não é necessário. Bastaria um feriado escolar ou talvez um ponto facultativo para ter essa questão resolvida.


Boa parte dos entrevistados acredita que haverá mais manifestações durante a realização da Copa e esse seria um problema para a venda no comércio. Quais outras dificuldades foram apontadas pelos empresários para se justificar o baixo investimento visando a Copa do Mundo?
35% viu e vê muita dificuldade na mão de obra qualificada. Faltam pessoas qualificadas para trabalhar nesse período; 29% teve muita dificuldade na negociação com seus fornecedores; 19%, falta de apoio governamental; e 17%, a ampliação do horário de funcionamento ou redução desse horário pelos feriados. O somatório desses pontos é o que levou essa questão em segundo plano, depois das manifestações, a esse desânimo por parte dos empresários.


Os lojistas que não se prepararam para a Copa do Mundo não correm o risco de abrir mão de uma grande oportunidade, apesar das barreiras que possam surgir num período como esse?
Sem dúvida nenhuma. Nós orientamos todas as entidades, as CDLs, as câmaras lojistas, e o SPC Brasil, em conjunto com o Sebrae, a promover debates e incentivos para que isso fosse feito, mas, infelizmente, não houve a resposta que nós esperávamos. Sem dúvida nenhuma, a Copa do Mundo deverá trazer uma movimentação bastante grande, mas também vemos que isso deverá ser mais setorizado. Deveremos ter setores que terão desempenho bem acima dos dias normais e outros setores nem tanto. O setor que mais deverá se movimentar durante o período da Copa, e também é o maior setor do varejo brasileiro, é o setor de supermercado, seguido pela venda de eletroeletrônicos, em especial televisores, nessa época.



Detalhes da pesquisa:
- 63% dos empresários do setor lojista entrevistados afirmaram que não se prepararam ou não estão se preparando para a Copa do Mundo
Principais justificativas para o despreparo:
- Não vêem retorno significativo para o aumento da demanda
- 71 por centro acreditam que haverá mais manifestações durante a Copa
- Somente 16% dos empresários brasileiros estão extremamente otimistas em relação ao crescimento das vendas durante a Copa do Mundo.


Fonte: www.cbn.com.br

 

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