Revista da Papelaria

Início » Notícias / Mercado » Planejamento é fundamental para 2015

12/12/2014

   

Planejamento é fundamental para 2015

Excesso de feriados, Copa do Mundo e eleições prejudicaram o varejo em 2014. No entanto, Planejamento pode transformar previsões cautelosas em grandes oportunidades

A queda de 7,1% acumulada nos três primeiros trimestres de 2014 pelo comércio varejista de livros, jornais, revistas e artigos de papelaria teve como principal causador o calendário. A avaliação é unânime entre especialistas, que creditam o mau desempenho do setor neste ano ao excesso de feriados, à Copa do Mundo e às eleições gerais. Para 2015, as perspectivas cautelosas exigem, mais do que nunca, preparação por parte do empresário.


“O ano de 2014 foi difícil. Começou com a série de feriados em abril. Em seguida, veio a Copa do Mundo, que tirou o foco do consumo, com o agravante de trazer mais feriados. Essas perdas não são recuperadas no dia seguinte. Depois, tivemos o período eleitoral, que também tirou o foco do consumo”, analisa Aldo de Moura Gonçalves, presidente do Sindicato de Lojistas do Município do Rio de Janeiro (Sindilojas Rio).


Excluindo as datas em que cidades declararam ponto facultativo por conta de partidas da Copa do Mundo, o Brasil teve 12 feriados em dias úteis durante 2014. Deste total, sete foram prolongados, por terem caído em segundas, terças, quintas ou sextas-feiras. Em 2015, este número será ainda maior: serão 14 feriadões nacionais. No entanto, até mesmo o excesso de datas comemorativas pode ser aproveitado pelos empresários – desde que se organizem para isso.


“O varejo é muito impactado pelo calendário. O que eu sugiro aos varejistas é que se antecipem: observe os feriados e se planejem. No ano que vem, temos muitos feriados prolongados. Então, estude os dias úteis e sazonalidades. Um varejista pode se beneficiar muito ao se preparar para períodos temáticos”, aconselha Dayse Maciel, professora do Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/FIA).


2014: ano para riscar do calendário


Economicamente, 2014 trouxe alguns dos piores índices deste início de século. E não foi diferente com o varejo de papelaria. Os mesmos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram a retração de 7,1% nos primeiros nove meses deste ano indicam que, na comparação ampliada para doze meses, a queda atinge 4,9%. Números que indicam que o mau desempenho tem raízes mais profundas que as mudanças sazonais.


“As papelarias vêm em queda acumulada de 7,1% em função dos preços acima da inflação. Se formos ver o resultado trimestral, a retração soma 10,6%. Mesmo quando a economia foi bem e o varejo foi positivo, o setor já estava com desempenho negativo. A maior influência foi por causa do preço, associada à redução do poder de compra”, explica Juliana Paiva, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.


O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como medidor oficial da inflação no país, acumulou alta de 4,02% até setembro e 6,51% na comparação anual. Já a inflação do varejo de papelaria, segundo Juliana, chega a 8,4% entre setembro de 2013 e 2014. O aumento dos preços dos produtos causado pela inflação do setor somado à redução do poder de compra da população expresso no IPCA formam o cenário de queda acentuada, acima do teto estabelecido pelo governo federal.


“A inflação do setor está maior que o acumulado geral. Em um cenário de desaceleração do consumo, ocorre uma expansão menos intensa da economia, com menos crédito e redução do poder de compra. É ainda mais prejudicial o setor não vender bens essenciais, diferente do farmacêutico, por exemplo. Então, o desempenho dele vem ficando abaixo da média do varejo”, elucida Juliana Paiva.


A análise da especialista do IBGE é corroborada por Aldo Gonçalves. Ao acumular a presidência do Sindilojas com a do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio) e do Conselho Empresarial de Comércio de Bens e Serviços da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), o dirigente traça o panorama do varejo carioca e sugere formas de aproveitar um ano potencialmente ruim.


“O crescimento baixo da economia retira investimentos das empresas, enquanto a inflação alta corrói o salário do trabalhador e reduz o poder de compra da população. No entanto, o varejo pode usar armas como promoções, financiamentos, concursos e, principalmente, criatividade: buscar novos produtos, propor prazos de pagamento mais atraentes e melhores preços”, aconselha.


2015: planejamento é a palavra-chave


Se 2015 terá mais feriadões que 2014, um fator presente neste ano que termina não estará mais presente: a indefinição quanto aos rumos da economia foi dissipada com a escolha da nova equipe econômica, liderada por Joaquim Levy como ministro da Fazenda (saiba mais na entrevista ao lado). Portanto, o empresário já pode se planejar para lidar com adversidades bem definidas.


“No planejamento, é preciso observar como está a equipe para atender épocas de baixa e alta demanda. As papelarias têm uma situação privilegiada em relação ao sortimento, pois podem trabalhar com várias categorias. O varejista pode vender material escolar ou presentes, e esta é uma categoria muito interessante, por ter alto valor agregado”, sugere Dayse Maciel.


A professora ainda traça outros bons nichos a serem explorados como alternativas pelos empresários: materiais eletrônicos, itens para home-office, prestação de serviços e produtos com alto valor agregado, como agendas, canetas ou cadernos personalizados. Tudo isso, somado a um bom planejamento para a execução das vendas, pode transformar um ano de perspectivas cautelosas numa época de novas e grandes oportunidades.


“É preciso entender o perfil de quem frequenta as lojas. A exposição de produtos é um grande desafio ao varejista. É essencial que seja fácil tanto se localizar quanto localizar os produtos. Além disso, o preço praticado tem que ser compatível com o público-alvo”, adverte a professora, que conclui: “Se o mercado está ou não favorável, o varejista deve fazer o dever de casa”.

 

< Anterior | Próxima >