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08/01/2015

   

Confiança e equilíbrio: metas do governo

Presidente da Abigraf afirma que desafio da nova equipe econômica será ajustar contas públicas

Levi Ceregato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), analisa a nova equipe econômica do governo federal do ponto de vista do setor gráfico, que, segundo ele, é o que possui uma das mais altas tributações do mundo. Para o presidente, o desafio de Joaquim Levy, no Ministério da Fazenda, e de Nelson Barbosa, no Planejamento, será reequilibrar as contas públicas e recuperar a confiança no governo, sem aumentar impostos.


Como o cenário econômico de 2014 afetou a indústria gráfica?


Como toda a indústria de transformação, o setor gráfico vem sendo fortemente prejudicado pelo baixo crescimento da economia. Houve uma queda dramática de produção no segundo trimestre do ano, seguida de leve recuperação no terceiro trimestre. Apesar disso, devemos fechar o ano com crescimento negativo da ordem de 1,9%.


Qual a herança deixada pela última equipe econômica?


Os altos juros, o déficit nas contas públicas e um perigoso movimento de inflação acima da meta são ingredientes que continuam no cenário e vêm desestimulando o investimento em bens de capital. Outro elemento de atenção é o alto nível de endividamento das famílias, que deve continuar afetando negativamente a indústria de bens de consumo no próximo período.


Que tipo de expectativas a escolha da nova equipe econômica do governo federal traz ao mercado gráfico?


Estamos otimistas e confiantes de que a escolha de Joaquim Levy para a Fazenda e de Nelson Barbosa para o Planejamento, assim como a manutenção de Alexandre Tombini no Banco Central, acene com uma mudança nas prioridades econômicas do governo. Tanto Levy quanto Barbosa aliam o conhecimento do mercado com a experiência no trato público. Portanto, possuem o conhecimento necessário para promover um choque salutar no ambiente de negócios brasileiro. É fundamental restabelecer a credibilidade das metas traçadas e o equilíbrio das contas públicas. Só esperamos que esses ajustes não se apoiem na criação de impostos e contribuições que onerem ainda mais uma indústria que luta para recuperar a competitividade, apesar de arcar com uma das mais altas tributações do mundo.


Quais os maiores desafios da indústria gráfica para 2015?


A recuperação da competitividade seguirá como principal desafio para toda a indústria de transformação, inclusive a gráfica. Destaco a necessidade de linhas especiais para renovar o parque gráfico, de extensão da desoneração da folha de pagamento para os segmentos não contemplados (apenas o segmento de embalagens conta com esse benefício) e do estabelecimento, no mínimo, de isonomia tributária frente ao produto editorial importado, que entra no país livre de qualquer ônus, enquanto os livros, jornais e revistas impressos localmente são onerados em cerca de 9,5% por contribuições de PIS e Cofins.

 

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