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14/04/2015

   

Volta às aulas razoável

Em meio à crise, varejo, indústria e entidades de classe comemoram resultados

O período de volta às aulas foi percebido pelo mercado papeleiro como positivo. O ano de 2014 foi fora do comum, com calendário afetado pela realização da Copa do Mundo no Brasil e pelas eleições gerais. Para o alívio do setor, 2015 trouxe de volta a estabilidade e a chance de explorar toda a potencialidade do período de pico nas papelarias brasileiras.


“Neste ano, os meses de janeiro e fevereiro foram mais equilibrados do que no ano passado, quando tivemos um efeito de antecipação por conta da Copa. O início de 2015 foi melhor distribuído. Isso fez com que o atendimento fosse mais tranquilo”, analisa Ricardo Carrijo, diretor de relações institucionais da Abfiae (Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares).


Segundo o presidente do Simpa-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Escritório e Papelaria de São Paulo), Antonio Nogueira, as papelarias estão priorizando não somente o tradicional melhor momento do setor, como também os meses seguintes. Até o fechamento desta edição, a associação não tinha dados que revelavam o balanço do início do ano nos empreendimentos.


“Ainda não temos números fechados. Hoje, o pessoal das papelarias está muito preocupado com o dia a dia”, diz Nogueira.


Desempenho misto


O retorno ao cronograma normal foi comemorado e explorado por empresários país afora. Segundo Carlos Nascimento, gerente-geral do Shopping do Estudante, a estratégia foi trabalhar os pontos positivos da loja, que fica em Aracaju/SE, para atrair mais clientes e impulsionar o crescimento da empresa.


“O volta às aulas foi maravilhoso! Atingimos um crescimento de 20%, um número que não se alcança todos os dias. Eu até esperava uma queda, e fiquei impressionado com o aumento. Agora, vamos nos preparar para o próximo, pois não podemos parar”, afirma Nascimento, ao avaliar os resultados atingidos.


A receita da papelaria aracajuana baseia-se no relacionamento com colégios e em facilidades oferecidas aos consumidores. O gerente revela que, durante todo o ano, é construída uma relação próxima com as escolas, o que lhe permite ter a noção exata das demandas necessárias para oferecer kits completos com condições de pagamento especiais.


“O volta às aulas representa tudo. Trabalhamos o ano todo pensando nisso. Fazemos um trabalho com as escolas e, hoje, vendemos todo o kit escolar: papelaria, uniformes e livros, com pagamento em até dez vezes. Nosso trabalho é focado nesse período”, revela.


Se na Região Nordeste o resultado foi acima do esperado, no sul do país o início do ano ficou um tanto aquém das expectativas. A alta nos preços dos produtos impactou diretamente os resultados na Livraria Cervo. Entrevistado pela REVISTA DA PAPELARIA, João Claudio Cervo, proprietário da empresa porto-alegrense, teve problemas no período.


“Foi um pouco abaixo das nossas expectativas. Vendemos cerca de 95% do que calculávamos para esse período. Quanto às contratações, foram seis funcionários temporários – cerca de 10% do que já chegamos a contratar”, revelou o empresário, que calcula ter 40% do faturamento anual proveniente do volta às aulas.


Fabricantes motivados


A indústria comemora os resultados atingidos. Com o cronograma afetado pelo 2014 fora da curva, as estratégias logísticas foram o grande desafio para que os fabricantes pudessem levar a tempo os produtos que encheriam as prateleiras dos varejistas. E o objetivo foi cumprido.


“Temos praticamente seis meses antes do momento de consumo de janeiro e fevereiro para elaborar todo o carregamento (sell in) dos canais de distribuição, período que teve Copa do Mundo, eleições, aumento de taxa Selic, alta do dólar, inflação, taxa de desemprego, passeatas. Fizemos um forte trabalho de filtrar as dificuldades para fechar a operação com um crescimento de, aproximadamente, 10%”, relata Ricardo Baena, gerente comercial nacional da Foroni.


Segundo Ricardo, a estratégia da Foroni se baseou em oferecer aos clientes formas de manter a atração no consumo dos produtos licenciados, de maior valor agregado, trabalhando política comercial, produtos e ações de trade marketing para segurar as pressões sazonais. Tudo pensado para o período mais importante do ano.


“O volta às aulas tem forte importância no nosso negócio. Mais da metade do volume é negociada no período de agosto a dezembro, e consumida durante os meses de janeiro e fevereiro. Tudo muito característico no mercado papeleiro”, aponta.


A Pritt apostou nos lançamentos para se destacar. O início do ano também é o principal período para a empresa, com a demanda pelas colas sendo impulsionada através da compra dos materiais escolares infantis. A estratégia é tida como um sucesso, apesar das dificuldades do cenário macroeconômico, de acordo com Marcela Inforzato Guimarães, gerente da marca.


“A cola branca ainda é a mais solicitada nas listas de materiais escolares. No entanto, observamos também um crescimento da cola bastão, sobretudo por conta dos lançamentos de Pritt Bastão Colorido e Pritt Bastão Temático, edições limitadas desenvolvidas especialmente para o período”, evidencia a gerente.


A Faber-Castell também tomou o caminho dos novos produtos. A companhia alemã apostou em mais de 100 lançamentos em todas as categorias, entre eles EcoLápis grafite, esferográficas, marcadores, borrachas, apontadores e corretivos. A linha Grip foi outro foco de atuação da empresa, além de ações pontuais com produtos específicos.


“No período, desenvolvemos ações focadas na Canetinha Vai e Vem, produto que é um dos best-sellers no portfólio. Além das canetinhas, concentramos esforços na divulgação da linha Grip, voltada para os consumidores mais exigentes”, resume Elaine Mandado, gerente de comunicação da empresa.


Divulgação em um produto principal foi o foco da Waleu. Os lápis de cor Norma tiveram a divulgação trabalhada no site, Facebook e malas diretas, o que gerou aceitação dos clientes e crescimento da marca.


“O volta às aulas é o período mais importante, pois há maior índice de vendas, divulgação e fidelização de novos clientes. Diante dos resultados das vendas, 2015 foi melhor que 2014, pois conseguimos inserir no mercado nossos lançamentos e tivemos excelente feedback dos clientes”, conclui Jéssica Borba, assistente de marketing da fabricante.


Cartão para educação melhor


Durante o volta às aulas, um trabalho que se intensificou em 2014 mostrou resultados. Novas cidades aderiram ao Cartão Material Escolar (CME), iniciativa que entrega cartões aos alunos da rede pública de ensino para que eles comprem os próprios materiais nas papelarias, em um movimento que beneficia o comércio varejista.


“Ainda não temos números fechados, mas percebemos que os resultados foram dentro do esperado, o que atualmente já é muito bom devido às circunstâncias que o país vem atravessando, com as famílias passando por momento de aperto financeiro”, projeta Ricardo Carrijo.


Os problemas ocorridos com os kits de materiais escolares distribuídos pelo Governo do Estado de São Paulo podem levar à implementação dos cartões no estado mais rico do país. Até meados de março, cerca de 390 mil estudantes foram afetados com atrasos na entrega dos produtos, o que levou o governador Geraldo Alckmin a estudar o repasse dos recursos diretamente para as famílias.


“Sabemos que o governador está sensibilizado com essa alternativa. Nos próximos dias, teremos reuniões para decidir os próximos passos”, declara Antonio Nogueira, presidente do Simpa-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Escritório e Papelaria de São Paulo).


As cidades de Sorocaba, Salto e Agudos fizeram, em 2015, o primeiro ano de distribuição do CME. Nogueira garante que as expectativas do sindicato são positivas e deixa um conselho aos papeleiros: buscar a diversificação do mix para aproveitar as oportunidades.


“A papelaria é simpática a todo consumidor e tem que ter novidades, atrativos. Por menor que seja, trabalha com dois mil itens. Então, temos que investir em produtos novos, que atraiam ainda mais clientes”, finaliza.

 

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