Revista da Papelaria

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02/08/2016

   

Vida longa a ela

Aqueles que pensam que agenda de papel tem dias contados, vai ser melhor pensar duas vezes

No mercado de papelaria, a discussão sobre o futuro de determinados itens torna-se, muitas vezes, inevitável. A situação atual remete a um passado um tanto distante, na década de 1950, quando acreditavam na extinção do rádio em virtude do surgimento da televisão no Brasil. É fato que o jornal impresso perde cada vez mais espaço com o advento da internet, mas também é verdade que não há como prever se eles realmente deixarão de existir – ou não.


A agenda, produto indispensável anos atrás, passa por esse momento. Afinal, com tanta tecnologia e organizadores digitais, por que optar pela versão em papel? Os motivos são diversos e alguns, inclusive, comprovados por pesquisas. É possível afirmar que, quando se trata de agendas, as de papel são superiores às eletrônicas em quase todos os quesitos.


“Não consigo pensar em qualquer outra coisa à qual isso se aplique tanto”, comenta a jornalista e amante de agendas Lucy Kellaway em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo. A formadora de opinião faz as seguintes comparações: o e-mail é melhor que as cartas de papel, já que não envolve a procura de envelopes e selos; o Google Maps é melhor que os guias de cidades em papel, já que a rua que você procura não está sempre na extremidade da página; o eBay é melhor que lojas físicas por tantas razões que é melhor nem descrever.


“Mas no caso das agendas eletrônicas, há algo de estranhamente estressante em ter seus compromissos anotados na nuvem”, defende ela. De acordo com o especialista em organização David Allen, criador do método GTD (da sigla em inglês Getting Things Done, traduzido oficialmente para o português como “A Arte de Fazer Acontecer”), a grande vantagem do papel é que ele está bem a sua frente.


“Quero que meus compromissos estejam bem visíveis ou, pelo menos, em minha bolsa. Quero vê-los anotados com minha própria letra. É minha promessa solene de que vou fazer o que eu escrevi ali que faria”, argumenta Lucy Kellaway. Ou seja, a praticidade e agilidade é algo muito mais notório na versão de papel.


Para fazer essa comprovação, a jornalista reuniu dois grupos de pessoas e perguntou o que estariam fazendo em um dia específico dali a um mês. As pessoas do primeiro grupo tiraram seus smartphones dos bolsos, digitaram uma senha e então ficaram pressionando a tela muitas vezes. A mais veloz chegou à informação em 17 segundos, e a mais lenta, em 32.


O pessoal que usa agenda de papel abriu as agendas e foi direto para a página em questão, levando, em média, oito segundos. Ao pedir para que as pessoas anotassem um almoço marcado, a diferença de tempo foi ainda maior. “Minhas cobaias com agendas de papel levaram cinco segundos para rabiscar algumas coisas; as que usavam iPhone levaram seis vezes mais tempo”, revela Lucy.


Outra grande vantagem do papel é que é fácil visualizar o tempo. É possível ver um dia e uma semana inteira em um instante, e até um ano, pois existe essa opção de agenda disponível no mercado. Além disso, não apenas o papel leva menos tempo e não requer senha, como nunca fica sem bateria, nunca entra em pane, e nada é deletado misteriosamente.


Segundo a colunista da Folha de S. Paulo, melhor ainda é a satisfação proporcionada pelo próprio objeto físico. “Todo Natal eu ganho uma agenda nova, de cor diferente. As páginas em branco me enchem de uma sensação de potenciais – uma emoção que página digital alguma, por mais que esteja vazia, é capaz de criar”, afirma. “No fim do ano, a agenda já batida vai unir-se às suas antecessoras sobre uma estante, à espera de um tempo no futuro quando eu talvez comece a querer relembrar o que fazia no passado”, finaliza.

 

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