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19/01/2017

   

O amargo preço do descaso com a educação

Rubens Passos, presidente da Abfiae, trata sobre os resultados do Pisa

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou em dezembro de 2016 os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes 2015 (Pisa), teste aplicado em 72 países. Infelizmente, o Brasil, como vem ocorrendo há vários anos, continua numa péssima colocação. Isso significa que as políticas públicas de educação não têm sido eficazes. Por isso, não avançamos.


Para se ter ideia da precariedade de nosso ensino, mais de 70% dos alunos brasileiros entre 15 e 16 anos não alcançaram o nível básico de proficiência em matemática, ou seja, são incapazes de resolver problemas simples envolvendo algarismos. O escore médio de nosso país foi de 377, ante a média de 490.


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, fez uma análise comparativa dos dados do Pisa. Em matemática, só ficamos à frente da República Dominicana, cujo índice foi de 328. A disciplina começou a ser avaliada em 2003. De início, até conseguimos algum avanço, mas, desde 2012, a queda foi superior a 11 pontos. Isso confirma que o Brasil segue negligenciando a educação.


Também são avaliadas no programa da OCDE as habilidades dos estudantes em leitura e em ciências. Em ambas, os nossos resultados, que também são ruins, permanecem estagnados. Em ciências, mais de 56% dos alunos brasileiros entre 15 e 16 anos só conseguem resolver questões de baixa exigência cognitiva. O escore médio nacional nesse quesito é de 401 pontos, bem abaixo da média da OCDE, de 493. No ranking de 14 países elaborado pelo Inep, o Brasil só está à frente do Peru (397) e da República Dominicana (332).


Em leitura, 51% dos nossos estudantes estão abaixo do nível considerado aceitável para o exercício da cidadania: não conseguem reconhecer a ideia principal ou interpretar fatores implícitos de um texto. Nesse quesito, o Brasil está em antepenúltimo lugar entre as 14 nações de realidades semelhantes. Participaram do Pisa, no país, 23.141 estudantes de 841 instituições de ensino municipais, estaduais, federais e privadas. A amostragem, portanto, é expressiva.


Os números são incontestáveis. Refletem a precariedade das condições de trabalho dos professores; os desencontros e atrasos nas definições do currículo nacional; a evasão elevada de alunos, jamais solucionada; as crianças e jovens não matriculados; os altos impostos incidentes sobre cadernos, canetas, réguas, apontadores e outros produtos – com projetos de lei sobre o tema patinando no Congresso Nacional –; fraudes e atrasos nas licitações dos artigos e uniformes para alunos das escolas públicas; a despeito de contarmos com solução eficiente e moderna, que é o Cartão Material Escolar, mas ainda pouco utilizado.


Os avanços e providências para solucionar todos esses problemas são muito lentos, drasticamente aquém da necessidade do Brasil de converter o ensino de qualidade em fator de desenvolvimento, como já fizeram numerosas nações – mas nós continuamos comendo poeira no Pisa.


Rubens Passos, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (Abfiae)

 

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