Revista da Papelaria

Início » Notícias / Artigo » As mesmices da educação

08/05/2017

   

As mesmices da educação

Rubens Passos, presidente da Abfiae, comenta os resultados do Saresp

A educação brasileira, embora seja sempre um dos temas de mais ênfase e promessas nas campanhas eleitorais, não sai do lugar. Anunciam-se medidas, programas e projetos com nomes espetaculosos, mas invariavelmente ineficazes. Com isso, vamos ficando para trás na economia global, cuja competitividade é cada vez mais determinada pelo domínio do conhecimento.


Prova de que nosso ensino patina há anos sem sair do lugar é o desempenho na disciplina em matemática dos alunos da rede pública estadual paulista, considerada uma das melhores (ou seria menos ruim?) do país. Em 2016, a performance caiu nos ensinos fundamental e médio. É o que indicou o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), avaliação da Secretaria de Educação, que abrange 1,2 milhão de estudantes por ano. Em português, verificou melhoria no quinto ano do ensino fundamental e no terceiro do médio, mas ocorreu queda no nono.


As notas dessa avaliação periódica compõem, juntamente com os dados de aprovação, reprovação e evasão, o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (IDESP). Tal indicador apresentou alta no quinto ano e também no ensino médio, mas caiu no nono ano do fundamental em 2016. Ou seja, melhora um pouco ali, piora aqui, num círculo vicioso que há décadas vem mantendo nossa educação entre as piores do mundo.


Li na imprensa uma opinião muito lúcida sobre essa letargia da educação brasileira proferida pela pesquisadora Katia Smole, especialista no ensino de matemática. Ela diz que os dados das etapas finais do ensino fundamental (nono ano) são muito preocupantes, pois, com esse resultado tão negativo, os alunos iniciam o médio em um ponto de partida muito baixo. Acrescento: por isso demorarão muito mais para chegar a algum lugar.


Os estudantes brasileiros das escolas públicas, e também das particulares, seguem enfrentando o descaso com que a educação é tratada. O material escolar, para aqueles cujas famílias compram, tem carga tributária média superior a 40%, encarecendo os itens; os das escolas públicas invariavelmente recebem os produtos com atraso, porque se insiste em arcaicas licitações, permeadas de vícios, denúncias de fraude e corrupção.


Há soluções para a matemática e o português (professores valorizados!), para o problema do material (Cartão Material Escolar) e o peso dos impostos (dois projetos de lei em tramitação há tempo no Congresso Nacional). Basta vontade política e gestão eficiente!


Rubens Passos, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (Abfiae)

 

< Anterior | Próxima >