Revista da Papelaria

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19/06/2017

   

Mudar enquanto há tempo

Comerciantes precisam repensar seus canais e modernizar suas operações, mas, sobretudo, aumentar seu envolvimento com as questões setoriais.

O varejo de papelaria e material de escritório vem encolhendo de tamanho há mais de dez anos. Nem mesmo nos anos considerados de vacas gordas por muitos, em razão das políticas públicas que incentivavam o consumo, o segmento teve crescimento em número de empresas, o que sinaliza que a crise setorial já vem de longa data e nunca arrefeceu. No município de São Paulo, por exemplo, existiam 4.955 estabelecimentos em 2007. Em 2015, essa quantidade caiu para 3.014, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), ou seja, uma queda no nú- mero de empresas abertas no período de 21,81%.


Com o auge da crise atingindo toda a economia nacional, destacadamente o comércio, em 2016 esse universo certamente deve ter encolhido ainda com mais intensidade. Motivos para tal fenômeno são muitos e afetam todo o tipo de empresa. No entanto, alguns fatores são típicos da atividade, como o aumento da concorrência de grandes varejistas de outros segmentos, que comercializam material escolar e de escritório em condi- ções altamente competitivas, como hiper e supermercados, o que inviabiliza as operações de micro e pequenas papelarias. Além disso, o setor conta com uma alta carga tributária, apesar do discurso político batido da preocupação com a educação, vide “Pátria Educadora” e as promessas comuns no horário eleitoral gratuito.


Somente para refrescar um pouco a memória, a incidência tributária de alguns itens básicos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), é a seguinte: apontador: 43,19%; caderno universitário: 34,99%; caneta: 47,49%; lápis: 34,99%; borracha: 43,19%; papel sulfite: 37,77%; régua: 44,65%


Alguns setores do comércio contaram com pequena melhora nas vendas neste início de ano, o que não foi o caso do varejo de papelaria e material de escritório. Na verdade, existe um sentimento comum na categoria de que houve uma grande retração. Não é para menos, sem contar o aumento do desemprego, taxa de juros ainda elevada e baixa oferta de crédito, o fardo assumido pelos consumidores no início do ano se mostrou muito pesado: IPTU, IPVA, matrícula escolar etc.


Os empresários do setor continuam acreditando no potencial do setor e vêm honrando seus compromissos. A pergunta: até quando? Sem dúvida, é preciso encontrar maneiras para reduzir a carga tributária sobre os itens escolares e buscar maneiras para incentivar o consumo nas papelarias, como o Cartão Escolar, projeto defendido pelo Simpa-SP desde 2007.


No entanto, esse caminho não é simples e exige um maior envolvimento e organização dos varejistas em relação aos problemas do setor. Sem uma pressão efetiva sobre a administração pública, não há resultados palpáveis. Como diria Aristóteles, “uma andorinha só não faz verão”. Por outro lado, os empresários precisam ficar atentos a outras formas de divulgar seus produtos e serviços e adaptar suas operações às exigências do mercado.


O e-commerce tem sido um dos canais que mais crescem no país. Muitos poderão argumentar que isso é coisa para grandes players, como Submarino, Netshoes, Americanas.com etc. Ledo engano, justamente essas empresas, apesar do alto faturamento, têm amargado prejuízos. Já os comércios eletrônicos de nicho estão conseguindo resultados muitos expressivos com operações lucrativas. É preciso estudar e verificar essas oportunidades abertas, que, diga-se de passagem, não são poucas


Antônio Martins Nogueira


Presidente do Simpa-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Material de Escritório e de Papelaria de São Paulo e Região) e diretor da FecomércioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo)

 

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