Revista da Papelaria

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27/11/2017

   

Para além do lápis e do papel

Massinha, barbante e brinquedos estão entre os itens que estimulam o aprendizado na pré-escola

Primeira etapa da educação básica, a educação infantil abrange a creche e a pré-escola e compreende crianças de 0 a 5 anos. Nesse período, busca-se o desenvolvimento integral da crian- ça, incluindo seus aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e sociais. As atividades devem envolver diferentes habilidades motoras e também o brincar, de modo que as papelarias têm uma vasta gama de produtos que podem ser oferecidos com foco nesse público. Na escola canadense Maple Bear, em Belo Horizonte/MG, o modelo de ensino é bilíngue e internacional, mas, ao contrário do que se imagina, as atividades lúdicas com papel, tesoura e colagens estão no centro da formação. “Tive oportunidade de viajar ao Canadá diversas vezes e, lá, observei que não é a tecnologia que facilita a aprendizagem, pelo contrário. Os materiais básicos são mais importantes para desenvolver nas crianças a disposição para a escrita, a coordenação motora e outras habilidades”, explica a professora e coordenadora do programa de inglês, Andreza Félix.


Andreza reforça que no modelo canadense tudo é trabalhado em Centros de Aprendizagem, que se constituem de experimentações coletivas. A partir de uma lista variada de itens, que inclui desde tesourinha, lápis e giz de cera até lixa de papel, barbante, palitos e massinhas, as crianças passam tardes inteiras picando diferentes tipos de papel, cortando e colando pedaços, treinando.


traçados e superando obstá- culos motores. Um exemplo importante para a evolu- ção do desempenho está no tamanho dos pincéis, que começam grandes e grossos para depois serem substituí- dos por modelos mais finos. “O uso de cada material varia de acordo com a idade e o desenvolvimento. Evitamos as canetinhas porque elas são mais fáceis de deslizar no papel e, na pré-escola, é importante que a criança encare o desafio de controlar o instrumento”, exemplifica a professora. Miçangas, cola lí- quida colorida e fios de lã são usados em atividades de colagem, em que a criança deve seguir caminhos, aprender a trabalhar com pequenos objetos, para só depois começar a preencher e colorir letras.


Um alerta que a coordenadora pedagógica dá para os pais de crianças em idade pré-escolar é se atentar à qualidade dos materiais adquiridos, pois isso faz diferença no desempenho dos pequenos. “Mais do que comprar itens da moda ou ilustrados com personagens, é importante investir em um bom apontador, bons lápis, bons produtos que tenham um desempenho de qualidade na hora das atividades”.


Em um Centro Integrado de Educação Pública, o CIEP Presidente Agostinho Neto, no Rio de Janeiro/RJ, a professora Juliana Farias lista o giz de cera, o lápis e os lápis de cor como os três itens mais utilizados na rotina da pré-escola. Outros itens citados foram tinta guache, cola colorida, papel crepom e de seda, cartolina e EVA. “Com o giz de cera e o lápis de cor, fazemos desenhos e colorimos, estimulando a coordenação motora fina das crianças na fase de pré-alfabetização e o aprendizado das cores”, explica a professora.


Tesoura e cola são também itens importantes para desenvolver habilidades motoras ou aprender a dosar a quantidade de cola necessária para cada ocasião. “Fazemos atividades como recortar figuras de historinhas, para que os alunos colem em ordem no livro ou cortar papel de seda das cores que estamos aprendendo, em pequenos pedacinhos, para colar em outro papel, formando figuras, por exemplo”. O papel crepom tem uso similar ao papel de seda. “Além de refor- çar as cores, dá para rasgar e fazer bolinhas de papel para colar, trabalhando também a coordenação motora”. Outro uso para o papel crepom está ligado à expressão corporal: ao esticar tiras coloridas ou abrir o papel inteiro, a professora trabalha com movimento e criação de figuras como arco-íris e rios.


Já no Centro Educacional Vida de Aprendiz, localizado em Cabo Frio, na Região dos Lagos Rio de Janeiro, as cores são protagonistas de dias inteiros de atividades temáticas. A gestora e pedagoga Isabela Martins aproveita que o mundo mágico das crianças é cheio de cores e incentiva atividades que contribuem para o aprimoramento cognitivo e motor dos educandos. “Sempre que ensinamos uma cor nova, comemoramos com a festa das cores. O intuito é promover uma aprendizagem significativa e contextualizada a partir da experiência social promovida na festa. O ideal é aprender brincando”, detalha.


Isabela destaca que as listas de materiais da pré-escola podem variar de acordo com o projeto pedagógico de cada instituição. No centro educacional que coordena, a educação segue a linha socioconstrutivista, que inclui também livros infantis na rotina pedagógica. “Para nós, a leitura tem aspectos integrados para o desenvolvimento, não é só uma questão de saber ler. Temos um projeto de mala viajante, em que alunos são sorteados para levar para casa a mala com livros no fim de semana. Acreditamos que, assim, estamos incentivando não só a criança, mas também pais e responsáveis a terem uma experiência de leitura”.


Dentre as atividades preferidas dos pequenos, Isabela destaca aquelas com massinha de modelar, livros e tinta. “A massinha estimula a criatividade, assim como os livros, que ajudam a desenvolver a habilidade de recriar e recontar sua própria história”. Com as tintas, a pedagoga explora atividades livres, como pisar no papel ou passar as mãos no muro de artes. “As crian- ças também adoram jogos de encaixe, passam horas montando e desmontando e ainda trabalham a coordena- ção motora, a criatividade e a concentração”.

 

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