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09/01/2018

   

Os refugiados das escolas do Brasil

É preocupante constatar que o índice de evasão escolar no Brasil é tão grave quanto o que se observa entre os contingentes de pessoas e famílias que tiveram de fugir de seus países em decorrência de guerras e perseguições político-religiosas. A triste conclusão é inequívoca ao se comparar dois novíssimos relatórios internacionais.


O primeiro, elaborado pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur), mostra que 3,5 milhões de crianças com idade entre 5 e 17 anos que fugiram de suas pátrias não tiveram a chance de frequentar a escola no último ano letivo. O estudo confronta estatísticas desse organismo com dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre matrículas escolares em todo o mundo. Globalmente, 91% das crianças frequentam a escola. Dentre os refugiados, o índice é bem menor, de apenas 61%. Em países de baixa renda, chega a ser inferior a 50%.


No Brasil, os índices relativos ao ensino médio são piores do que o observado entre os refugiados, nivelando-se aos das nações de baixa renda: somente 53% dos jovens brasileiros estavam matriculados no ensino médio em 2015, revela o relatório Education at Glance 2017, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nossa taxa também é muito inferior à dos países membros desse organismo, nos quais é de 95% a média de matrícula dos estudantes de 15 e 16 anos.


Esse estudo compara informações do sistema de ensino dos 34 membros da OCDE e outras nações não integrantes, como a Rússia e o Brasil. Em nosso país, o índice de escolarização piora depois que o jovem completa 18 anos: nessa idade, menos da metade está na escola. As taxas estão abaixo da maioria dos países da OCDE, nos quais 90% dos jovens de 15 a 17 anos estão no ensino médio e 75% dos que têm 18 anos já cursam a universidade. 


O relatório da Acnur também demonstra que, como no Brasil, os obstáculos à escolaridade vão aumentando à medida que as crianças e jovens refugiados vão crescendo. Apenas 23% deles estão matriculados no ensino médio, em comparação com 84% globalmente. De fato, é calamitosa e triste a situação das pessoas que fugiram de seus países devido a conflitos, perseguições e fome, cujo número já se aproxima de 66 milhões. Do mesmo modo, é lamentável a condição da infância e da adolescência brasileira excluídas da educação. 


Referindo-se às crianças e adolescentes evadidos de sua terra natal, o alto comissário da ONU para Refugiados, o diplomata italiano Filippo Grandi, disse que “a educação desses jovens é fundamental para o desenvolvimento pacífico e sustentável das nações que os receberam e para os seus próprios países, uma vez que eles consigam retornar”. Esperemos que as autoridades brasileiras responsáveis pelo ensino tenham a mesma consciência.

 

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