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Papelarias

Papelarias invadem a web

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Jovens empreendedores identificam no setor de papelaria oportunidade de negócios em meio ao crescimento do e-commerce

Se por um lado o isolamento social e a pandemia do novo coronavírus inibiram alguns negócios, por outro lado também motivaram brasileiros a começar a empreender. Entre 7 de março e 4 de julho deste ano, o Portal do Empreendedor registrou 551.153 novos
microempreendedores no país, 16.788 a mais do que no mesmo período de 2019.

Levando em consideração apenas empreendimentos on-line, foram 107 mil novas lojas virtuais criadas, segundo levantamento feito entre 23 de março e 31 de maio pela Abcomm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), o que dá em média 46.500 novos negócios na internet a cada 30 dias. Antes da quarentena, a média de abertura de lojas na internet era de 10 mil estabelecimentos por mês.

Não há dados específicos sobre papelarias on-line que surgiram no período, mas é fato que a pandemia apenas acelerou um movimento crescente que combina jovens que querem empreender e gostam de material de papelaria, facilidade de explorar as redes sociais e plataformas prontas para e-commerce.

Presença nas redes sociais é determinante

A trajetória da Lojinha da Lívia (@lojinhadalivia) começou em 2017, quando Lívia Vasconcellos tinha apenas 18 anos. Mas desde 2016 ela já mantinha um perfil no Instagram no qual mostrava sua rotina de estudos para ingressar na faculdade de direito. Durante uma viagem aos Estados Unidos com a família, sua paixão por itens de papelaria a levou a comprar vários produtos diferenciados. “Em duas semanas vendi tudo, acabei percebendo que aqui não tinha nada parecido, uns três anos atrás era até pior. Não tinha nada de novidade, você chegava na volta às aulas com os mesmos cadernos, só mudavam a estampa, então eu vi que o pessoal realmente procurava por uma papelaria mais fina”, explica a empresária.

O interesse de Lívia Vasconcellos por papelaria começou quando estudando para o vestibular de direito começou a compartilhar sua rotina de estudos no Instagram. A jovem empresária interrompeu a faculdade no meio do curso e passou a estudar marketing para investir na sua paixão: produtos de papelaria.

O sucesso da loja em 2018 – que já tinha conquistado mais de 100 mil seguidores – a fez trancar o curso de direito no quarto período e, no mesmo ano, buscar treinamento em marketing. Segundo Vasconcellos, o grande diferencial da sua papelaria é, primeiramente, ter ela como uma figura de presença na sua própria marca. “As pessoas ligam para cá para fazer o pedido diretamente comigo, quando mandam mensagem seja pelo e-mail, seja pelas redes sociais, sempre tem um: “Ei Lívia, tudo bem?””, exemplifica Além disso, ressalta que a presença no YouTube fez diferença, já que não se encontram papelarias por lá. “Lá eu mostro os bastidores, conto como é ser dona, o que eu faço no dia a dia, mostro os funcionários. Transparência, né?”, conta Lívia.

Atualmente o negócio expandiu e a empresa atua também em marketplaces e tem o seu próprio showroom. Quando perguntada sobre o período de pandemia a resposta foi animadora. De acordo com ela, a papelaria nunca vendeu tanto quanto no momento atual. “Se antes vendíamos dois mil pedidos por dia, agora dobrou, aumentamos a equipe com quatro funcionários e conseguimos bater todas as metas para esse ano”, comemora a empresária.

Quem acompanha esse sucesso não deve imaginar que o início não foi tão fácil. “No primeiro ano da loja tinha semana que eu não vendia nada. No final do mês só cobria as despesas, ficava zerada”, relembra. A Lojinha da Lívia começou a ganhar espaço no decorrer do segundo ano de inauguração, e a principal estratégia? Sorteios. “Fizemos sorteios com muitas marcas, como Caderno Inteligente, Pentel e Newpen, todo mundo saiu ganhando, pois eu ganhei seguidores e eles também”

Outro importante fator que fez com que a marca se desenvolvesse foi quando Lívia largou a faculdade de Direito e passou a se envolver integralmente com a papelaria. “Eu estava no segundo ano e larguei a faculdade, no mês seguinte a loja vendeu o dobro”, revela. Com 117 mil inscritos no YouTube e mais de 8 milhões de visualizações dos vídeos do canal, a empresária conta que os números de seguidores não são o principal foco, explica: “Fico de olho mesmo nas curtidas, em quantas pessoas salvam as fotos. Me dedico a tirar fotos bonitas que façam as pessoas curtirem, acho 10 mil curtidas um número muito bom”.

Além da papelaria, Vasconcellos recentemente lançou uma apostila dedicada a orientar a como abrir uma papelaria on-line do zero. Em três horas de lançamento, a loja já havia vendido 40% dos seus exemplares. Já para o curso on-line, é possível aguardar na fila de espera para a próxima turma no próprio Instagram da loja. O último curso contou com mil inscritos.

Novinha em folha

A Armazém Gio (@armazemgio) é uma papelaria on-line – a ser inaugurada em setembro – que exemplifica o momento atual do empreendedorismo jovem no setor de papelaria. A trajetória da loja, por sua vez, começou antes mesmo da pandemia, revela Polliana Giorgi, estudante de publicidade e empresária à frente da Armazém Gio. “Já fazia um tempo que eu queria criar um negócio e desde sempre amo papelaria. Depois de uns dois anos parada eu voltei a desenhar e aprendi a fazer ilustrações digitais. Decidi ser freelancer, mas não soube administrar muito bem, então ano passado veio na minha cabeça a ideia de abrir uma papelaria com artes feitas por mim. Esse ano consegui juntar um dinheiro e formei melhor a ideia”, descreve.

A empresária de 21 anos faz parte dos 22,2% novos empreendedores com a faixa etária entre 18 a 24 anos, segundo pesquisa realizada em 2019 pelo Global Entrepreneurship Monitor. No Brasil, o levantamento foi coordenado pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) em parceria com o Sebrae.

A Armazém Gio teve um investimento inicial de R$ 2.500 e a proposta é oferecer um mix de produtos voltados para organização e criatividade. Para mapear o que a loja forneceria a palavra-chave foi pesquisa. “Criei um questionário no Google Forms e fiz uma pesquisa de mercado para saber quais produtos as pessoas mais buscavam. Divulguei nas minhas redes sociais e em alguns grupos que participo, tive um bom retorno e consegui saber no que eu deveria focar primeiro”, conta a empresária. No momento, o portfólio da empresa oferece blocos de notas, cartelas de adesivos e cadernos com faixa de preço de R$ 25 reais.

“Meu desejo inicial era abrir uma papelaria com coleções limitadas e produtos totalmente personalizados, mas percebi que não seria viável, já que demanda um orçamento muito grande. Então tive que adaptar minha ideia para que futuramente eu consiga fazer o que
desejo.”, completa.

Quando perguntada sobre a maior dificuldade durante todo o processo de construção da marca, ela revela que achar um fornecedor que ofereça o que ela procura tem sido um desafio: “Quero encontrar fornecedores que produzam a ideia da minha cabeça e não me
adaptar aos modelos prontos que eles oferecem. Por exemplo, com a empresa que fiz os cadernos, tive problemas com o layout final porque queriam colocar anúncios deles, como se fosse um brinde”, desabafa.

Expandindo o negócio

Lívia Vasconcellos se mostra incansável em atender às demandas que percebe no mercado de papelaria. Recentemente se associou à Esfera Papelaria, de Vitória (ES), e criou a Nalí Papelaria (@nalipapelaria). A empresa desenvolve o design e comercializa blocos de folha de fichário e fichas com uma gramatura diferenciada de 90g/m². Segundo Vasconcellos, a proposta é atender a um público exigente, que busca por novidades. Na loja online já é possível encontrar folhas pretas, pontilhadas, quadriculadas e pautadas. As vendas já estão disponíveis na Lojinha da Lívia e na Esfera Papelaria.

8 passos de uma papelaria online

A empresária Polliana Giorgi descreveu as etapas que cumpriu no lançamento de sua papelaria, a Armazém Gio:

1 Escolha o tipo de produtos que irá vender

2 Crie um CNPJ

3 Escolha a plataforma por meio da qual irá vender

4 Elabore sua identidade visual

5 Defina como irá enviar os produtos

6 Crie os produtos, caso seja artesanal, ou adquira-os , se for revenda

7 Pense em como será a embalagem e a apresentação dos produtos

8 Construa sua estratégia de comunicação e pense em quais canais você vai utilizar para
comunicar a marca

Para seguir e acompanhar!

Polliana Giorgi, figura à frente do Armazém Gio, conta que as papelarias que inspiram o negócio dela são: Meg & Meg (@megemeg), Ilustralle (@ilustralle) e Donna Dolce (@donnadolceloja). Pode anotar, vai que serve de inspiração?

Quem desenvolveu?

A plataforma utilizada pelo Armazém Gio é a Loja Integrada. Segundo Polliana Giorgi, ela é intuitiva e teve um investimento de R$ 400. Já a Lojinha da Lívia, contou com a Iluria durante os primeiros anos da loja: “É muito bacana para quem está começando e é bem acessível”.

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