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Papelarias superam desafios e têm bons resultados

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Logística, treinamento e estoque foram os principais desafios da volta às aulas 2020

A volta às aulas é, sem dúvidas, o período de maior movimento para o setor de papelaria, mas também é um momento de muito trabalho e dedicação. Depois de passar parte do segundo semestre se preparando para a sua chegada, quando nos damos conta ele já passou e é hora de começar a pensar no que é possível melhorar para o ano seguinte.

Como foi a volta às aulas 2020 para a sua loja? Conversamos com representantes de papelarias de quatro estados brasileiros e todos tiveram vendas que atenderam ou superaram o planejamento para o período.

Essa alta é corroborada pela Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), que já realizou e divulgou pesquisas com lojas que vendem material escolar em dois estados: Santa Catarina e Minas Gerais. Entre os mineiros, 37,9% dos empresários afirmaram que as vendas se mantiveram estáveis, devido principalmente ao atraso para o início do ano letivo ocasionado pelas fortes chuvas na região.

A volta às aulas desse ano foi um divisor de águas para a Art Pel. “Atingimos pessoas de lugares que nem imaginávamos”, destaca a empresária Ana Daryma.

Já para, os catarinenses, o resultado foi melhor. Segundo pesquisa realizada pela Fecomércio-SC em sete cidades do estado, o ticket médio dos consumidores nas compras ficou em R$ 165,48 – 11,4% a mais do que em 2019 (R$ 148,58). Apesar da alta, o estudo constatou um dado interessante. “A pesquisa mostrou que quatro em cada dez consumidores compraram apenas o que não podiam reutilizar do ano anterior e parte deles garantiu só os itens da lista que estavam em promoção nas lojas”, afirma Bruno Breithaupt, presidente da Fecomércio-SC.

Redes sociais

Maior papelaria do sul de Minas Gerais, a Art Pel contraria a média estável do estado. Com duas lojas de 320 m² e há 47 anos na cidade Poços de Caldas, a volta às aulas 2020 foi marcante para a história da loja, que contou com um aumento nas vendas de 40% em relação a 2019.

“Essa volta às aulas foi um divisor de águas, porque hoje somos a maior papelaria do sul de Minas Gerais e estamos no top 100 de muitas marcas, como a Tilibra. Começamos a divulgação na internet e tivemos muito retorno, porque estamos atingindo pessoas de lugares que nem imaginávamos, como clientes do Rio de Janeiro e de São Paulo que vieram comprar aqui”, conta Ana Daryma Cioffi, que assumiu a gestão da papelaria no lugar do pai depois que se formou em Administração de Empresas.

Para ela, a intensificação da comunicação via Instagram, a visita de personalidades à loja, como os atores do filme “Turma da Mônica – Laços”,e a garantia do melhor preço da cidade foram alguns dos fatores que impulsionaram o aumento das vendas. “A gente teve um crescimento de 40% nesse período de volta às aulas em relação a 2019. Acredito que por termos o melhor preço – já que nosso poder de barganha é grande por causa das duas lojas -, pela variedade dos produtos e por causa do Instagram”, conta.

No Espírito Santo, a Esfera Papelaria teve um aumento de cerca de 80% nas vendas e também acredita que um dos fatores que possibilitaram esse crescimento esteja ligado ao bom trabalho que a equipe realiza nas redes sociais. “Aqui no estado, o nosso Instagram sempre foi muito forte, não em relação ao número de seguidores, mas porque a gente sempre tentou fazer um trabalho diferente. Quando começamos a trabalhar com as mídias sociais, não era tão comum a produção de fotos, que vemos hoje em dia várias lojas fazendo”, conta Ricardo Calmon Lacerda, sócio da loja.

O trabalho junto às redes sociais fez a diferença no desempenho positivo da Esfera Papelaria neste volta às aulas.

Desafios

Para que o período de volta às aulas gere bons resultados, os lojistas precisam lidar com diversos desafios, como a gestão do estoque, o treinamento dos funcionários e a logística de recebimento de produtos dos fornecedores e envio para os clientes. O tempo de espera para a chegada dos produtos foi o principal empecilho ao planejamento da Essencial Informática e Papelaria, localizada em Santarém (PA).

“Como estamos na região norte, o nosso maior desafio é em relação à logística, porque a gente tem que pedir os produtos com muita antecedência e, às vezes, trazemos alguns produtos que nos surpreendem, vendem muito e não conseguimos uma reposição rápida”, relata Lizandra dos Santos, sócia da papelaria.

O grande desafio da Essencial, de Santarém, no Pará, foi a logística. “Quando algum produto surpreende com vendas acima do previsto, a reposição nunca é ágil”, lamenta a sócia, Lizandra dos Santos.

A reposição do estoque também é um gargalo na Art Pel, que mesmo se organizando com antecedência, precisou fazer três pedidos para um mesmo fornecedor durante a volta às aulas. “Antes, o período de volta às aulas tinha início em dezembro, hoje em dia já temos demanda em outubro, então a logística é um coisa que a gente tem mais dificuldade, porque precisamos fazer reposição de produtos no meio da volta às aulas. Por exemplo, para a Sertic eu precisei fazer três pedidos só em janeiro”, relembra Ana Daryma.

Em São Paulo, a Papelaria Real Brooklin também enfrenta problemas em relação ao estoque, mas de uma maneira diferente. As vendas da loja se mantiveram estáveis em relação ao ano passado, mas a loja considerou a volta às aulas 2020 melhor porque conseguiu seguir o planejamento.

“Cometemos alguns erros nos anos anteriores, mas em 2020 a volta às aulas foi boa em diversos sentidos, principalmente devido à organização. Não que tenhamos vendido mais do que no ano passado, mas por causa do planejamento prévio nós compramos certo e vendemos certo. Já houve ano da gente comprar muito e sobrar, então neste ano baixamos o estoque, o que foi ótimo porque já vínhamos de acúmulos de outros anos”, explica Jailson Galdino da Silva, supervisor financeiro da Papelaria Real Brooklin.

Outro ponto apontado por Jailson como um desafio desse período é a concorrência em relação aos preços praticados pelas grandes redes. “Quando os pais vêm comprar, já vêm dando exemplo de preços dessas lojas grandes, mas o que eles não entendem é que são redes que têm várias lojas e compram em grande quantidade dos fornecedores, por isso conseguem valores mais competitivos”, desabafa.

A volta às aulas 2020 foi marcada pela organização e planejamento na Papelaria Real. Os erros dos anos anteriores trouxeram muito aprendizado e a empresa conquistou a estabilidade.

Mesmo contando com outras duas papelarias na mesma rua, na Esfera Papelaria, de Vitória (ES), a concorrência não é vista como um problema: “O público de volta às aulas aquece bastante as vendas, tanto para nós quanto para os nossos concorrentes. No geral, a concorrência, principalmente nessa época, não nos atrapalha”, esclarece Ricardo Calmon Lacerda.
Outro desafio dessa época é em relação ao treinamento da equipe para atender aos clientes com o máximo de informações possível sobre cada produto. “O treinamento de funcionários é algo bem complicado, porque a minha equipe praticamente dobra nesse período de volta às aulas. Temos mais de 30 mil itens à venda e é difícil ensinar sobre todos em pouco tempo”, lembra Ana Daryma, da Art Pel, que passou de 35 para 65 funcionários na volta às aulas 2020.

Ações

Os tradicionais convênios e parcerias com escolas continuam sendo grandes propulsores das vendas durante o período de volta às aulas. Aliado a isso, diversificar a forma de atendimento oferecendo outros canais de compra além do balcão da loja também geram bons resultados. “Temos parceria com escolas da cidade que nos indicam no momento da matrícula e concedemos 20% de desconto à vista ou no débito. Incentivamos as mães a trazerem as listas para fazermos orçamentos ou a nos enviarem pelo WhatsApp. Assim, separamos os produtos e os pais têm a opção de buscar na loja ou receber em casa”, conta Lizandra, da Essencial Papelaria e Informática.

A Papelaria Real Brooklin manteve a parceria com diversas escolas da região, oferecendo aos pais a comodidade de realizar as compras pelo site com taxa fixa para a entrega. “Temos convênios com diversas escolas da região que nos indicam e esse foi o ano em que essa estratégia deu mais certo. Em uma estimativa de mil listas, de 65% a 70% são vendas on-line, com uma taxa única de R$ 20 para a entrega, independentemente do valor da compra. Além disso, para os pais que anteciparam a compra do material escolar para dezembro, oferecemos desconto de 15% no dinheiro e no débito ou de 10% no crédito”, conta Jailson.

Por estar localizada em uma cidade do interior de Minas Gerais, a Art Pel consegue realizar uma campanha mais agressiva. “A nossa propaganda é que a gente garante o melhor preço da cidade. Como o município é pequeno, tem apenas 180 mil habitantes, eu consigo garantir isso. Aqui em Poços, as escolas lançam as listas e eu tenho acesso a elas em primeira mão, então eu já faço um orçamento e quando a mãe chega na loja ela já tem uma estimativa de quanto vai gastar”, relata Ana Daryma.

Já na Esfera Papelaria, de Vitória, por visar tanto a volta às aulas das escolas quanto das universidades, a estratégia foi realizar promoções de forma cruzada, focando os dois públicos em diferente momentos. “Fazemos promoção dos produtos de desenho na época da volta às aulas do público infantil e ao contrário na volta às aulas da universidade, para ajudar a girar o estoque”, explica Ricardo.

A procura por materiais escolares fez com que a Essencial optasse pela ampliação do setor de papelaria. “Estamos há seis anos no mercado, começamos com a informática e há um ano e meio inserimos a papelaria no portfólio – uma decisão que tomou uma proporção que a gente nem imaginava. Colocamos os produtos em um espaço reduzido e em menos de dois anos estamos fazendo uma ampliação, porque a procura, principalmente pelos jovens, tem sido muito grande”, conta Lizandra.
De acordo com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), manter as prateleiras sempre atualizadas com as tendências e novidades do mercado, entender o seu público-alvo e investir no marketing digital são algumas dicas para manter as boas vendas durante todo o ano.